Ontem enquanto eu estava presa
num engarrafamento , comecei à pensar em como explicar na faculdade (não, eu
não estou de férias) que a culpa pelo atraso não era minha. Uma das
coisas que passou pela minha cabeça foi: “eu estava num engarrafamento
retado...”. E aí é que começa a história: meu lado linguístico
inconscientemente começou a pensar nessa palavra: retado. Eu estava num misto
de estresse pelo atraso e de orgulho por poder usar uma palavra tão baiana e
ser compreendida. Enfim, coisas de Rafaela.
Comecei a pensar que o original é
“arretado” e como nós soteropolitanos (ou pelo menos eu) não usamos essa versão
. Daí tocou o alerta : arretado. “Nossa, como isso se parece com o verbo arrêter em francês!” E arrêter significa “parar”. Logo,
arretado seria “parado”?!?
Não pude evitar os pensamentos
sobre aqueles clichês que a mídia “às vezes” transmite sobre os baianos. Como
acreditar que uma das palavras que mais nos define (pelo menos na minha cabeça)
seria tão traiçoeira ...
Não, eu não sou parada. E prefiro
acreditar que essa palavra deva ter uma etimologia outra e com isso, outro
significado, que não essas coisas nas quais penso enquanto estou arretée nos engarrafamentos de Salvador.
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